A vida é uma engrenagem que não pára nunca, mesmo quando temos vontade de A vida é uma engrenagem que não pára nunca, mesmo quando temos vontade de encerrar. Ela é incessante, assim com os dias e as noites. Aconteça o que acontecer sempre o amanhecer se despontará, o entardecer cairá e a noite inundará com sua escuridão que pede repouso. Os ciclos se completam, alguns avançam muito, outros quase nada. O tempo não pára, mas qual é o limite para esse tempo? Qual é o limite para o tempo correr, quer você esteja preparado ou não? E quando a morte chegar, já se sabe: ainda não é o limite. Iniciamos outro ciclo e... A vida continua, ainda depois da morte.
Então quero expor o limite entre a vida e a morte mais cruel do que a morte propriamente dita. É quando se quer matar algo dentro de si e não se consegue. É quando finalmente perdemos todas as expectativas, desfazemos sonhos que descobrimos que não se realizarão, nos convencemos que o melhor mesmo é o fim. Mas o fim não chega. E sua vida fica dividida entre a alegria de viver e o sofrimento de esquecer. É como se você se olhasse no espelho e quisesse apagar uma parte do que vê. É como se você olhasse para suas mãos e desejasse arrancar um de seus dedos. É o mesmo que deixar de ser você mesmo. Uma pequena morte dentro da sua vida. Hoje eu gostaria mesmo de enterrar metade de mim, e por cima da grama fresca, adornar com os sonhos que não vivi, no lugar das flores, sobre um pedaço de mim, que embora já esteja frio, não consegue partir.
Eu quero que morra aquilo que, sem que eu permitisse, se tornou parte de mim, como uma flor que nasce na seca. Quero que se desfaçam as lembranças que invadem meus primeiros pensamentos ao acordar e recebem minhas últimas bênçãos ao dormir. Não quero esses olhos de ressaca, nem as gargalhadas do engraçado. Que morram todos os planos de algo que nunca existiu: nós. Quero ser só eu. Nem que para isso eu mate parte de mim.

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